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O Brasil tem grande potencial de ocupar posições de destaque nos rankings mundiais de conectividade, entretanto, com uma demanda atualmente reprimida. Para mudar esse cenário, é preciso promover ações necessárias para atingir os resultados e atacar os atuais problemas.

 A tecnologia e a inovação abrem caminho para uma variedade de novos formatos, que atraem cada vez mais audiência. O atual presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Leonardo Euler, já afirmou que “as oportunidades e possibilidades só existem se houver conectividade, e a conectividade só existe com a infraestrutura de telecomunicação”.

O objetivo principal da Aliança Conecta Brasil F4, em termos de conteúdo digital, é abrir mais espaço para aumentar a qualidade do que é produzido e/ou distribuído no Brasil.

Objetivo alinhado diretamente com a estratégia do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), que promove o encorajamento da produção nacional e a distribuição de conteúdo digital criativo. Apesar de a revolução digital ser um processo que ainda está engatinhando no Brasil, o conteúdo digital tem forte potencial e espaço para crescer e fomentar a economia do país.

  • Uma pesquisa feita pela Economist Intelligence Unit (EIU) sobre o setor de mídia e entretenimento, afirma que o conteúdo digital será o segmento de maior crescimento do setor nos próximos anos, com previsão de ser responsável por 80% de todo o conteúdo consumido até 2020.
  • De acordo com Nick George, sócio de Entretenimento e Mídia da PwC Consultoria, há uma forte correlação entre o crescimento do PIB e os gastos dos consumidores com mídia e entretenimento. Conforme a PwC, dentro do mercado de entretenimento e mídia, o mercado de jogos é o segundo que mais cresce e está em contínua expansão no Brasil.
  • Segundo a Newzoo, líder global em jogos, esportes e inteligência móvel, em 2017 o número de jogadores no Brasil era de 66,3 milhões. Mesmo com a crise econômica que agravou o país nos últimos anos, a movimentação financeira neste setor aumentou para US$ 1,5 bilhão.
  • Todos esses dados colocam o Brasil na liderança neste segmento na América Latina e em 13º lugar no ranking global.
  • De acordo com a revista Exame, o consumo de vídeo online cresceu mais de 90% de 2014 a 2017. Um dos motivos desse sucesso é o crescimento dos smartphones no Brasil, que respondem por 55% das horas dedicadas a vídeos na internet. Em números absolutos, mais de 65,5 milhões de pessoas assistem a vídeos online no Brasil.
  • Um brasileiro gasta, em média, 9 horas e 14 minutos por dia navegando na internet.
  • Conforme dados do relatório Digital In 2018, 140 milhões de brasileiros estão conectados à internet, uma penetração de 66%. Desses 140 milhões, 130 milhões são usuários de internet móvel. Um relatório da Anatel divulgou que o número de assinaturas em banda larga fixa no Brasil aumentou 276% entre 2005 e 2018. O Brasil ocupa o 6º lugar no mundo em número de acessos à banda larga fixa.
  • A pesquisa TIC da PNAD 2017 mostrou que cerca de 75% dos domicílios brasileiros utilizam a internet. Foi um salto importante quando comparado com os 69% do ano anterior e um resultado acima da média mundial, estimada em 54%.
  • De acordo com o Mobile Connectivity Index, divulgado pelo Global System for Mobile Communications Association (GSMA), a conectividade média do Brasil é 62,75, sendo 100 a nota máxima alcançável. No entanto, em termos de infraestrutura de rede móvel e acessibilidade de dispositivos e serviços, as notas apresentadas são bem menores: 55,75 e 47,4, respectivamente. A satisfação do usuário de internet brasileiro, de acordo com a Anatel, apresenta uma média de 6,43.
  • Em um estudo publicado pela Ookla, uma ferramenta de aferição de velocidade de internet, o Brasil ficou em 71º lugar entre os países com velocidade móvel mais rápida em 2017. A média brasileira foi de 16,25 Mbps, o que deixou o país abaixo da média global.

Tais dados mostram que devemos avançar cada vez mais com o objetivo de reduzir os quase 18 milhões de domicílios ainda sem internet no país, além de melhorar a qualidade da internet oferecida. Neste sentido, três aspectos devem ser destacados, que corroboram a visão de oportunidades e desafios a serem tratados: 57% dos domicílios que não usam internet não precisam ou não sabem usar a tecnologia, provocando a falta de demanda pelo serviço.

Se comparadas as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste com Norte e Nordeste, a discrepância entre os resultados é evidente. As operadoras devem dispor da tecnologia e da infraestrutura adequadas para oferecer serviços eficientes.

Segundo a Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil), o Brasil tem atualmente 90,8 mil antenas de celular distribuídas nos 26 estados e no Distrito Federal, das quais 25,1% estão no estado de São Paulo, 11,6% no Rio de Janeiro e 10,6% em Minas Gerais. O atual Vice-Presidente do Brasil, General Hamilton Mourão, já afirmou em entrevista que o Brasil precisa expandir o uso de redes.

Para tanto, é essencial definir políticas públicas que incentivem a instalação da infraestrutura necessária para a expansão e evolução desses serviços. Os maiores entraves para a instalação da infraestrutura de banda larga fixa e móvel, no Brasil, são as diversas restrições locais, as dificuldades burocráticas, a alta carga tributária, os custos trabalhistas excessivos, os prazos e o alto custo para implantação de Estações Rádio Base (ERB) e rede.

 A demanda por um Brasil mais conectado aumentará a demanda por banda larga via fibra óptica. Desde 2006, é possível ver o aumento da disponibilidade de fibra óptica, hoje com 18,5% das conexões no Brasil. O Broadband Forum estima um crescimento de 279% de tecnologia de fibra para o Brasil até o final de 2025.

A adoção da tecnologia 5G, bem como toda a nova gama de aplicações e de dispositivos habilitados por essa nova geração da rede móvel, deve impulsionar ainda mais a internet no país. Havendo um maior investimento em banda larga, consequentemente, haverá um grande crescimento econômico em diversos setores.

Um estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) mostra uma relação direta entre a penetração da oferta de banda larga e o PIB per capita, a produtividade e o emprego. Aumentar a penetração de banda larga em 10 pontos percentuais resulta em um aumento de 3,2% do PIB per capita, 2,6% da produtividade e 0,5% do nível de emprego.

No pilar das telas, o objetivo da Aliança Conecta Brasil F4 é abrir espaço para novas e melhores tecnologias, tais como o 4K, que ainda está sendo difundido no Brasil. O relatório Digital In 2018 mostra que 95% da população brasileira possui televisão em casa. Com as constantes inovações e a ascensão da revolução digital, a imagem de altíssima resolução está invadindo celulares, tablets, câmeras filmadoras e aparelhos de televisão, e a busca por imagens com melhor resolução é cada vez maior.

 O 4K é um padrão tecnológico que permite uma nitidez quatro vezes superior ao HD, e a popularização da tecnologia vai criar um efeito colateral: a explosão do consumo de dados e a necessidade da ampliação de infraestrutura.

Tais fatos nos levam de volta ao nosso objetivo principal: representar as indústrias ligadas a esses segmentos com o objetivo de promover o diálogo entre os setores público e privado, para a construção de um ecossistema mais inovador e eficiente, alavancando a transformação digital do Brasil.